top of page

Pedidos e Ofertas no Ambiente Organizacional: Uma Perspectiva Ontológica

pedidos e ofertas no ambiente organizacional


“Eu esperava que o relatório tivesse sido entregue mais cedo ou que estivesse mais completo. Isso é recorrente e está documentado em e-mail.”


“Fui subavaliado no alcance dos objetivos do trimestre.”


“É óbvio que preciso ter clareza dos meus objetivos para alcançá-los, mas até agora não recebi nada formalizado.”


“Gostaria que tivessem apresentado ideias mais criativas na reunião.”


São algumas falas comuns entre os clientes nas sessões de Coaching. Sempre que aparecem, pergunto quão clara era sua expectativa para o outro e a conversa deriva para a formulação de pedidos e promessas. Nem sempre a gente se dá conta do que fala e de como fala, pois nossos atos linguísticos são automatizados. E daria muito trabalho caso não fossem. No entanto, quando não estamos obtendo os resultados que desejamos em nossas interações, precisamos lançar mão da nossa habilidade humana de reflexão para ver o que está acontecendo em cada uma delas. E, invariavelmente, cairemos no que falamos ou escrevemos. A linguagem é nossa maior forma de expressão. Ela também é criadora e, por isso mesmo, podemos recriar os resultados que obtemos a partir do que falamos, se trazemos consciência para todo esse processo.


Descrevendo assim, parece complicado, mas se chegou a esse segundo parágrafo, vai ter interesse em conhecer mais sobre a formulação de pedido, um ato linguístico, que se dá a partir de uma necessidade ou falta. Por exemplo, me falta tempo porque tenho que me dedicar a uma série de atividades mais estratégicas e, por isso, preciso que alguém do meu time faça determinados relatórios. E poderia seguir aqui num número interminável de exemplos corriqueiros em ambientes organizacionais. Entre os atos da fala, pedidos e ofertas são os que mais impactam a coordenação de ações, moldando não apenas processos, mas também a qualidade das relações pessoais entre os membros de uma equipe.


A formulação de pedidos não se limita apenas a solicitações diretas, mas abrange a capacidade de expressar intenções, expectativas e visões de forma clara. As ofertas são compromissos que, uma vez pactuados, transformam-se em promessas e impactam para que uma relação de confiança seja ou não construída. Essa clareza na linguagem é essencial para evitar mal-entendidos e garantir uma coordenação eficiente de ações. Ao analisarmos a formulação de pedidos, é importante considerar a diferença entre promessas e pedidos feita por Rafael Echeverría, em seu livro A Ontologia da Linguagem. Enquanto os pedidos são solicitações de ações específicas, as promessas são compromissos de atender a esses pedidos. No ambiente organizacional, essa distinção esclarece responsabilidades e contribui para a criação de uma cultura baseada na confiança e na entrega efetiva de resultados.


A coordenação de ações, resultantes da “dança” entre pedidos e ofertas (explícitos ou não), alinha as atividades individuais entre si ou entre uma equipe para alcançar objetivos comuns. Para que seja eficaz, é preciso que todos os envolvidos compreendam não apenas o "o quê" de uma ação, mas também o "como" e o "quando". Isso promove uma maior sinergia e evita conflitos decorrentes de expectativas não alinhadas. Além disso, uma vez instaurada a confiança, há o fortalecimento dos vínculos interpessoais e extrapolamos a eficiência dos processos para chegar em um ambiente laboral mais saudável e colaborativo.


Os desafios provenientes das interações humanas são naturais e surgem devido a diferenças interpretativas, visto que todos nutrimos origens, famílias e experiências que nos constituem observadores diferentes da realidade que nos cerca. Portanto, o primeiro passo para redução de ruídos e ampliação da eficiência na coordenação de ações é a prática contínua da escuta de qualidade e do diálogo. O segundo passo, pode ser compreender os elementos constitutivos dessa “dança”, segundo Echeverría, que enumero a seguir:


  • Orador e ouvinte – Quem pede o faz a alguém e precisa que esse pedido seja aceito para que algo ocorra e quem oferta também o faz a outro sujeito que precisa aceitar essa oferta para que uma ação se suceda.

  • Uma ação futura – essa surge, como afirmei anteriormente, da necessidade. É preciso que eu perceba em mim ou no outro uma falta para que eu peça ou oferte e será consolidada na conversa, se transformando em um compromisso.

  • Condições de satisfação – Echeverría junta esse item ao anterior, mas devido aos mal-entendidos que observo, acho conveniente separá-los. Quando eu peço um relatório será que explico qual realmente é a minha necessidade e como estarei satisfeito? Dado que somos observadores diferentes, o que é completo e óbvio pra mim pode ser exagero de detalhes e complexo pro outro.

  • Prazo – Precisa descrever por que esclarecer isso é tão importante? Parece óbvio também? A verdade é que muitos problemas poderiam ser evitados se isso fosse claramente estabelecido logo na formulação do pedido ou da oferta.


Bom, você não precisa acreditar em nada do que escrevi, mas pode experimentar. Reflita em um uma situação em que fez um pedido e se sentiu insatisfeito ou insatisfeito com o resultado. Pensa se deixou sua necessidade realmente clara, se houve aceitação e compromisso do ouvinte, se falou das condições de satisfação incluindo o prazo. Reflete aí e se quiser compartilhar, vamos conversando mais por aqui!


Mônica Alvarenga, Sênior Coach Ontológica Profissional - SCOP


5 visualizações0 comentário
bottom of page